RETRATOS
SEM RETOQUES
Prefácio –
(Poetisa gaúcha Olga Matos)
Quisera carregar minha pena com as tintas mágicas
da sabedoria , para prefaciar " Retratos Sem Retoques",
sem pecar, tecendo considerações a altura
da obra e do autor.
Exuberante coragem, compreensão e elevado desprendimento
animam o escritor ao legar para posteridade o testemunho,
atuando in lócuo, fortalecendo e comprovando fatos
históricos matizados de patriotismo, cerrando fileiras
ao lado dos historiadores , que formam o mosaico da História.
Embora " Retratos Sem Retoques" seja um livro
voltado à realidade do " beiradão tocantino",
evidenciando fatos de cidades maranhenses, como Carolina,
Imperatriz e outras, o faz, com propriedade, o filho maranhense,
JOSÉ HERÊNIO DE SOUZA, estabelecendo paralelos,
situando-as no contexto nacional e mundial, relatando
realidades. Evidenciando a história da "Aviação
Brasileira", enfocando educação, saúde,
estagnação e progresso, bem como, estampando,
como informa o próprio nome do livro, " retratos
sem retoques" de fatos não registrados nos
compêndios históricos.
Sobre anotações catalogadas na própria
memória, conivente com outras conterrâneas,
traz relatos, dirimindo dúvidas, constantes em
outros registros, inseridas diferentemente dos fatos reais.
Esclarecendo equívocos e trazendo esquecidos fatos
antigos e novos do cotidiano dos imperatrizenses e outros,
vai o autor discorrendo com linguagem requintada , mas
suave , com o carisma que lhe é próprio,
sobre seus irmãos, as peripécias e altruísmo
do Zeca na orfandade. Lembra-nos os laços de família,
como marco de uma sociedade equilibrada, retratando-se
com seus familiares, homenageando seus ancestrais com
a busca da origem. Documenta fatos a respeito da Aviação
Brasileira facultada pelas andanças entre as estrelas
, e por fim, sua superarão como cidadão
vitorioso diante do pragmatismo da vida.
José, Zé ou Zeca Herênio de Souza
faz de "Retratos Sem Retoques" um entrelaçamento
de documento com mensagem de otimismo , mostrando-nos
a vida como ela é e, apesar de tudo, deixando entrar,
uma réstia de luz, incitando a coragem, fé
e esperança . Suaviza as linhas encrudelecidas
do documentário, usando da fidelidade de sua lisura
romântica, deixando o leitor voar docemente nas
asas do passado, voltando em suave revoada , para melhor
apreciar o presente.
Zé, esta gaúcha sente-se honrada ao prefaciar
teu livro e acima de tudo por constar no rol de tuas amizades.
Desejo-te as luzes de todas as estrelas com quem cruzaste
nas trajetórias espaciais!
Olga
Matos
APRESENTAÇÃO
Por José Herênio
Embora
sempre arredio à idéia de relatar fatos
históricos que envolvam menções autobiográficas,
instado pela generosidade de amigos resolvi atendê-los.
Em assim sendo, não tendo como dissociar certos
fatos de experiências vividas resolvi, finalmente,
tornar públicos alguns episódios que envolveram
um pedaço do meu querido sertão tocantino.
São tempos que já vão longe, que
deixaram certas lembranças como parte de minha
existência.
A presente publicação não é
um livro de contos nem histórico no sentido clássico
do termo. Ao mesmo tempo, não se destina a transformar-se
em libelo acusatório, àqueles que não
souberam bem laborar em suas atuações. Em
síntese, tratam-se de meros e bem singelos enfoques,
com os quais ouso pecar, pela falta de assessoramento
dos que cultivam a arte do bem escrever. Aos doutos historiadores,
que tanto se têm esmerado em registrar a história
de Imperatriz, peço vênia para expor as considerações
que se seguem, através das quais, não alimento
outro intuito, senão o de resgatar e recordar antigos
episódios e, de alguma forma, suprir omissões.
Muitos deles tiveram por palco a cidade de Imperatriz
e, por extensão, o beiradão tocantino. Muitos
episódios desenrolaram-se em diversas paragens,
dentro do mesmo contexto; são fatos em épocas
que já se perdem na poeira do tempo. São
modestos subsídios que forneço aos exímios
escritores que, dispondo apenas de alguns assentamentos
e respectivas datas, através de admirável
junção, têm publicado a história
imperatrizense de forma bastante concisa. Cônscio
de que qualquer narrativa deve ser seqüenciada com
começo, meio e fim, os fatos aqui relatados impossibilitam
tal regra, pelas próprias características
de que se revestem. Partindo de tal premissa, permito-me
retroceder a décadas que antecederam à Imperatriz
de hoje, para recordar de tempos passados, durante os
quais vivi parte da minha juventude e adolescência.
É um depoimento singelo, bem sei. Sua característica
sui generis, não visa apenas reviver mazelas passadas,
dos que mourejavam sob a égide de uma era incipiente,
mas, acima de tudo, tentará manter viva a chama
da fidelidade de fatos, em favor da história. Há
que relatar lamentando ou enaltecendo os feitos pretéritos,
pois, com erros e acertos, foram eles que nos trouxeram
às realizações do presente.
Afinal, há trinta anos, quando comemorávamos
os 150 anos de nossa independência do jugo colonial
português, nós, os sertanejos imperatrizenses,
acostumados ao sofrimento de outrora, dedicados apenas
a tarefas primárias inerentes à própria
sobrevivência, jamais atentávamos que, um
dia, viríamos a celebrar igual data em âmbito
local, em termos que nos possibilitasse o vislumbrar de
um radiante porvir. Felizmente, superando obstáculos
sem par, a marcha da Imperatriz do presente, ocorre de
forma célere e determinada, em busca de um Novo
Tempo de paz e progresso em favor de seus filhos.
Com efeito, desde as angústias do passado às
conquistas do presente, ao mensurarmos a nossa trajetória,
podemos hoje acalentar o sonho de um amanhã mais
feliz. As pálidas realizações do
passado e a grandeza do presente, permite-nos celebrar
com orgulho a magna data de nossa comunidade, proclamando
com vivo entusiasmo: Imperatriz, és sesquicentenária!
Reflexões, levam-nos a avaliar sobre o quanto foi
lento e bastante sofrido o processo evolutivo no âmbito
de nossa comunidade. Daí, o sopesar esforços
para avaliarmos o presente e, assim, projetarmos o futuro
deste pedaço do beiradão tocantino, ao qual
estamos vinculados por raízes, amor a terra e,
sobretudo, por dever pátrio.
Ao narrarmos fatos altamente negativos, ocorridos na vida
da Imperatriz centenária, não nos move o
intuito de desmerecer ou deslustrar o esforço dos
que bem laboraram em favor da sociedade. Nossas considerações
desnudadas são, acima de tudo, em favor da história
de Imperatriz que, no futuro, será reescrita com
melhor propriedade. Perdoem-nos a crueza da presente assertiva,
mas, na primeira rodada, quando a cidade deveria comemorar
com galhardia o centenário de sua fundação,
pouco ou quase nada havia a celebrar. As afirmações
que faço são, em parte, na condição
de testemunha ocular da história, e também,
ajudado por relatos vivenciados pelos meus ancestrais.
As lamentáveis causas que levaram Imperatriz a
ser cognominada de Sibéria maranhense remontam
à sua fundação. Em grande monta,
deveu-se isso à inação e ao egoísmo
de alguns líderes e administradores que, sucessivamente,
não se mostraram à altura de representar
a comunidade imperatrizense. Salvo exceções,
ao priorizarem os seus interesses pessoais em detrimento
do bem estar da sociedade, deram uma clara demonstração
de que tinham suas visões imersas em completa obscuridade.
Conseqüência de tal comprometimento, gerações
sucessivas amargaram imensas desilusões e descrenças.
E não poderia ser diferente. Eis que, impotente
ante omissões e desmandos, a sociedade imperatrizense,
durante mais de um século, teve de suportar a mais
completa solidão e abandono. Para tal assertiva,
tomamos como parâmetros municípios vizinhos
que, em idêntico período, tiveram melhor
sorte no que concerne ao desenvolvimento sócio-cultural
de sua gente.
No advento dos novos tempos quero, por dever de justiça,
em nome de nossos ancestrais, consignar os mais sinceros
aplausos aos brasileiros de todas as paragens que aqui
vieram e elegeram Imperatriz como seu novo lar, com o
intuito de fazê-la moderna e progressista. Agradecidos
somos aos que, em 46 anos, fizeram bem mais que outros
dirigentes, durante os 106 anos, que nos distavam desde
a fundação da antiga Vila de Santa Teresa.
Sem recorrer a academicismos formais, as presentes abordagens
podem se afigurar como rudes e até mesmo irreverentes
mas, quando necessário, são elogiosas e
postas em destaque, eis que primam por não macular
o selo de sua autenticidade. Alguns fatos aparentam singelos
e toscos. Assim era o verdadeiro retrato da Imperatriz
centenária. Ao lado de indesejáveis mazelas,
há que destacarmos os que souberam honrar sua terra,
com rara abnegação. Partindo de tal premissa,
resolvi nomear o presente relato como se fora autênticos
“Retratos sem Retoques”.
IMPERATRIZ
– MARANHÃO E O BEIRADÃO TOCANTINO
COISAS DE ANTIGAMENTE
José
Herênio de Souza, é aeronauta aposentado,
advogado e membro titular da
Academia Imperatrizense de Letras.
Contatos com o Autor:
herenio@uol.com.br
- joseherenio@globo.com
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