Livro de José Herênio, retratando fatos históricos ocorridos no beiradão do Rio Tocantins - Região Amazônica -, e seus reflexos em eras pretéritas envolvendo as cidades de Carolina e Imperatriz, no Estado do Maranhão.

ORELHA DO LIVRO

Apreciação da escritora Ione Jaeger

Nossa história não inicia no dia em que nascemos. Nossa história tem começo com o aparecimento do homem, ou melhor, antes do advento da criatura. Trazemos ao nascer a bagagem existencial de toda a caminhada da história da humanidade. O passado de cada um de nós é o passado de todos nós. Não somos uma unidade isolada. Somos um todo. Minha essência ontológica é formada e compactada pelo acervo de experiências da passagem do primeiro ser humano na face da terra, mesmo se não existi em eras ou épocas passadas, em séculos ou anos anteriores ao meu nascimento, eu tenho presenciado, atuado, julgado, criticado, experimentado, conhecido, existido em “todos os tempos” através de legados de alguém que tenha retratado lugares que não conheci, tempos que não vivi.
Nos Retratos Sem Retoques de José Herênio , belamente focados pela objetiva das lembranças, é documentário e romance.
Documentário - relata, registra fatos, informa aspectos sócio-político-cultural da vivência de uma comunidade afirmando seu perfil, moldado nas tradições e valores – Imperatriz.
Romance - descreve com arte e beleza: ações, aventuras, sentimentos e personagens que editaram e fizeram pulsar um coração no solo brasileiro – Imperatriz.
Retratos Sem Retoques , são retratos coloridos, meus, seus, de todos os filhos, que amam e respeitam, esta TERRA-MÃE verde e amarela.
Retratos Sem Retoques é a nossa História.

Novo Hamburgo, RS, em 3 de novembro de 2002

Ione Jaeger.
(Escritora e poetisa sul-rio-grandense)


RETRATOS SEM RETOQUES

Prefácio –
(Poetisa gaúcha Olga Matos)

Quisera carregar minha pena com as tintas mágicas da sabedoria , para prefaciar " Retratos Sem Retoques", sem pecar, tecendo considerações a altura da obra e do autor.
Exuberante coragem, compreensão e elevado desprendimento animam o escritor ao legar para posteridade o testemunho, atuando in lócuo, fortalecendo e comprovando fatos históricos matizados de patriotismo, cerrando fileiras ao lado dos historiadores , que formam o mosaico da História.

Embora " Retratos Sem Retoques" seja um livro voltado à realidade do " beiradão tocantino", evidenciando fatos de cidades maranhenses, como Carolina, Imperatriz e outras, o faz, com propriedade, o filho maranhense, JOSÉ HERÊNIO DE SOUZA, estabelecendo paralelos, situando-as no contexto nacional e mundial, relatando realidades. Evidenciando a história da "Aviação Brasileira", enfocando educação, saúde, estagnação e progresso, bem como, estampando, como informa o próprio nome do livro, " retratos sem retoques" de fatos não registrados nos compêndios históricos.

Sobre anotações catalogadas na própria memória, conivente com outras conterrâneas, traz relatos, dirimindo dúvidas, constantes em outros registros, inseridas diferentemente dos fatos reais.
Esclarecendo equívocos e trazendo esquecidos fatos antigos e novos do cotidiano dos imperatrizenses e outros, vai o autor discorrendo com linguagem requintada , mas suave , com o carisma que lhe é próprio, sobre seus irmãos, as peripécias e altruísmo do Zeca na orfandade. Lembra-nos os laços de família, como marco de uma sociedade equilibrada, retratando-se com seus familiares, homenageando seus ancestrais com a busca da origem. Documenta fatos a respeito da Aviação Brasileira facultada pelas andanças entre as estrelas , e por fim, sua superarão como cidadão vitorioso diante do pragmatismo da vida.

José, Zé ou Zeca Herênio de Souza faz de "Retratos Sem Retoques" um entrelaçamento de documento com mensagem de otimismo , mostrando-nos a vida como ela é e, apesar de tudo, deixando entrar, uma réstia de luz, incitando a coragem, fé e esperança . Suaviza as linhas encrudelecidas do documentário, usando da fidelidade de sua lisura romântica, deixando o leitor voar docemente nas asas do passado, voltando em suave revoada , para melhor apreciar o presente.

Zé, esta gaúcha sente-se honrada ao prefaciar teu livro e acima de tudo por constar no rol de tuas amizades.
Desejo-te as luzes de todas as estrelas com quem cruzaste nas trajetórias espaciais!

Olga Matos

 

APRESENTAÇÃO

Por José Herênio

Embora sempre arredio à idéia de relatar fatos históricos que envolvam menções autobiográficas, instado pela generosidade de amigos resolvi atendê-los. Em assim sendo, não tendo como dissociar certos fatos de experiências vividas resolvi, finalmente, tornar públicos alguns episódios que envolveram um pedaço do meu querido sertão tocantino. São tempos que já vão longe, que deixaram certas lembranças como parte de minha existência.

A presente publicação não é um livro de contos nem histórico no sentido clássico do termo. Ao mesmo tempo, não se destina a transformar-se em libelo acusatório, àqueles que não souberam bem laborar em suas atuações. Em síntese, tratam-se de meros e bem singelos enfoques, com os quais ouso pecar, pela falta de assessoramento dos que cultivam a arte do bem escrever. Aos doutos historiadores, que tanto se têm esmerado em registrar a história de Imperatriz, peço vênia para expor as considerações que se seguem, através das quais, não alimento outro intuito, senão o de resgatar e recordar antigos episódios e, de alguma forma, suprir omissões. Muitos deles tiveram por palco a cidade de Imperatriz e, por extensão, o beiradão tocantino. Muitos episódios desenrolaram-se em diversas paragens, dentro do mesmo contexto; são fatos em épocas que já se perdem na poeira do tempo. São modestos subsídios que forneço aos exímios escritores que, dispondo apenas de alguns assentamentos e respectivas datas, através de admirável junção, têm publicado a história imperatrizense de forma bastante concisa. Cônscio de que qualquer narrativa deve ser seqüenciada com começo, meio e fim, os fatos aqui relatados impossibilitam tal regra, pelas próprias características de que se revestem. Partindo de tal premissa, permito-me retroceder a décadas que antecederam à Imperatriz de hoje, para recordar de tempos passados, durante os quais vivi parte da minha juventude e adolescência. É um depoimento singelo, bem sei. Sua característica sui generis, não visa apenas reviver mazelas passadas, dos que mourejavam sob a égide de uma era incipiente, mas, acima de tudo, tentará manter viva a chama da fidelidade de fatos, em favor da história. Há que relatar lamentando ou enaltecendo os feitos pretéritos, pois, com erros e acertos, foram eles que nos trouxeram às realizações do presente.

Afinal, há trinta anos, quando comemorávamos os 150 anos de nossa independência do jugo colonial português, nós, os sertanejos imperatrizenses, acostumados ao sofrimento de outrora, dedicados apenas a tarefas primárias inerentes à própria sobrevivência, jamais atentávamos que, um dia, viríamos a celebrar igual data em âmbito local, em termos que nos possibilitasse o vislumbrar de um radiante porvir. Felizmente, superando obstáculos sem par, a marcha da Imperatriz do presente, ocorre de forma célere e determinada, em busca de um Novo Tempo de paz e progresso em favor de seus filhos.

Com efeito, desde as angústias do passado às conquistas do presente, ao mensurarmos a nossa trajetória, podemos hoje acalentar o sonho de um amanhã mais feliz. As pálidas realizações do passado e a grandeza do presente, permite-nos celebrar com orgulho a magna data de nossa comunidade, proclamando com vivo entusiasmo: Imperatriz, és sesquicentenária!
Reflexões, levam-nos a avaliar sobre o quanto foi lento e bastante sofrido o processo evolutivo no âmbito de nossa comunidade. Daí, o sopesar esforços para avaliarmos o presente e, assim, projetarmos o futuro deste pedaço do beiradão tocantino, ao qual estamos vinculados por raízes, amor a terra e, sobretudo, por dever pátrio.

Ao narrarmos fatos altamente negativos, ocorridos na vida da Imperatriz centenária, não nos move o intuito de desmerecer ou deslustrar o esforço dos que bem laboraram em favor da sociedade. Nossas considerações desnudadas são, acima de tudo, em favor da história de Imperatriz que, no futuro, será reescrita com melhor propriedade. Perdoem-nos a crueza da presente assertiva, mas, na primeira rodada, quando a cidade deveria comemorar com galhardia o centenário de sua fundação, pouco ou quase nada havia a celebrar. As afirmações que faço são, em parte, na condição de testemunha ocular da história, e também, ajudado por relatos vivenciados pelos meus ancestrais. As lamentáveis causas que levaram Imperatriz a ser cognominada de Sibéria maranhense remontam à sua fundação. Em grande monta, deveu-se isso à inação e ao egoísmo de alguns líderes e administradores que, sucessivamente, não se mostraram à altura de representar a comunidade imperatrizense. Salvo exceções, ao priorizarem os seus interesses pessoais em detrimento do bem estar da sociedade, deram uma clara demonstração de que tinham suas visões imersas em completa obscuridade.

Conseqüência de tal comprometimento, gerações sucessivas amargaram imensas desilusões e descrenças. E não poderia ser diferente. Eis que, impotente ante omissões e desmandos, a sociedade imperatrizense, durante mais de um século, teve de suportar a mais completa solidão e abandono. Para tal assertiva, tomamos como parâmetros municípios vizinhos que, em idêntico período, tiveram melhor sorte no que concerne ao desenvolvimento sócio-cultural de sua gente.
No advento dos novos tempos quero, por dever de justiça, em nome de nossos ancestrais, consignar os mais sinceros aplausos aos brasileiros de todas as paragens que aqui vieram e elegeram Imperatriz como seu novo lar, com o intuito de fazê-la moderna e progressista. Agradecidos somos aos que, em 46 anos, fizeram bem mais que outros dirigentes, durante os 106 anos, que nos distavam desde a fundação da antiga Vila de Santa Teresa.

Sem recorrer a academicismos formais, as presentes abordagens podem se afigurar como rudes e até mesmo irreverentes mas, quando necessário, são elogiosas e postas em destaque, eis que primam por não macular o selo de sua autenticidade. Alguns fatos aparentam singelos e toscos. Assim era o verdadeiro retrato da Imperatriz centenária. Ao lado de indesejáveis mazelas, há que destacarmos os que souberam honrar sua terra, com rara abnegação. Partindo de tal premissa, resolvi nomear o presente relato como se fora autênticos “Retratos sem Retoques”.

IMPERATRIZ – MARANHÃO E O BEIRADÃO TOCANTINO
COISAS DE ANTIGAMENTE

José Herênio de Souza, é aeronauta aposentado, advogado e membro titular da
Academia Imperatrizense de Letras.
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